Olá leitores, tudo bem? Hoje trago a resenha de um livro que me fez refletir muito e com certeza mudou algo dentro de mim. Levei semanas para conseguir ler ele inteiro e essa foi uma resenha muito difĂcil de escrever pois sĂł lendo mesmo para entender a transformação que esse livro nos trás.
TĂtulo: O Ano em Que Morri em Nova York
Autora: Milly Lacombe
Editora: Planeta
Número de páginas: 256
Skoob: Adicione
Sinopse: Romance de estreia de uma das principais ativistas LGBTT do paĂs, numa mistura de amor a si prĂłprio A protagonista deste romance vai do paraĂso ao inferno em poucas páginas. Casada com a mulher que ama, ela suspeita de que tenha sido traĂda durante uma de suas viagens de negĂłcios. A angĂşstia de nĂŁo saber o que se passa, o medo de perguntar, desconfiança e a dĂşvida, que nunca tiveram espaço na relação – considerada perfeita pelos amigos –, agora rondam o casal. Mas será mesmo que a traição existiu? Ou era o amor que estava minguando? O ano em que morri em Nova York nĂŁo Ă© sĂł a histĂłria de um casamento desfeito por conta de uma suposta traição. Estas páginas trazem a trajetĂłria de uma mulher desde a sua redescoberta atĂ© o doloroso rompimento. Uma mulher que assume sua orientação sexual tardiamente, e que luta para fazer a famĂlia entender, os amigos apoiarem e os colegas de trabalho aceitarem. Jornalista que se tornou ativista das causas LGBTT, Milly Lacombe cria neste seu primeiro romance, com viĂ©s autobiográfico, uma histĂłria densa, mas aliviada pelo humor. Um livro que Ă© tambĂ©m uma viagem de autoconhecimento, e, acima de tudo, uma histĂłria de amor a si prĂłprio.
"'Evite ter certeza daquilo que você desconfia' my ass. Minha vida tinha acabado. Eu morri em Nova York numa manhã ensolarada de sábado."
O Ano em que morri em Nova York como a prĂłpria capa diz Ă© "Um romance sobre amar a si prĂłprio", há muito tempo eu nĂŁo lia um livro com essa intensidade. De fato, estou há semanas lendo esse livro, e nĂŁo foi uma leitura fácil pois ao decorrer da histĂłria ele nos faz pensar em nossas prĂłprias vidas e nos faz refletir muito. Uma das coisas mais interessantes do livro Ă© que nĂŁo Ă© informado o nome da protagonista e isso faz com que seja impossĂvel nĂŁo se identificar com ela, pois as reflexões dela sĂŁo "suas". Esse livro nĂŁo Ă© nada do que eu esperava, Ă© algo muito alĂ©m, e Ă© algo que eu precisava e nem sabia. Acho que todo mundo que lĂŞ esse livro fica com essa sensação, pois ele fala diretamente com vocĂŞ, ele fala sobre se descobrir, se redescobrir, ser quem vocĂŞ Ă©, ser completa sozinha, se conhecer e saber seus pontos fortes e fracos, abraçar suas fraquezas e seguir em frente. Mas nĂŁo Ă© aquele livro que diz: "VocĂŞ precisa se amar", Ă© aquele livro que te ensina a se amar.
"Como a vida poderia ser melhor?, eu pensava todas as noites. E pegava no sono agradecendo ao universo, numa época em que eu ainda não sabia que os agradecimentos mais nobres são aqueles feitos enquanto tudo está de pernas para o ar e você acha que não passar pela tempestade, mesmo que, no fundo, naquele lugar que acessamos poucas vezes, mas cujo acesso, por mais rápido e breve que seja, é capaz de nos levar ao êxtase, saibamos que existe uma nobre razão cósmica para tudo, especialmente para as dores mais profundas."
No livro a protagonista conta sobre seu relacionamento e vida perfeita. Mora em Nova York com sua namorada, a qual ama mais que tudo e que tem uma ótima vida, ela se sente completa e feliz. Todos invejam seu relacionamento. Até que em um momento Tereza (Sua namorada) precisa viajar a trabalho e após isso as coisas começam a mudar um pouco e nossa protagonista começa a desconfiar de uma traição (E fica aquela coisa tipo em Dom Casmurro, não há provas, Capitu traiu Bentinho? Tereza está apaixonada por outra? Houve Traição? Será?). E após essa desconfiança nossa protagonista acaba voltando para São Paulo e embarca em algumas aventuras que a leva a um caminho de autoconhecimento e renascimento. Quem era ela sem a Tereza? Como encontrar a Felicidade Novamente? Como ser completa, quando sua "metade" parte seu coração? E então acompanhamos a protagonista fazendo essas descobertas, é tudo tão sem máscaras, tão "cru", tão real. Enquanto os outros personagens se revelam, a protagonista começa a se revelar também e quando você menos percebe você está fazendo a mesma coisa.
"O amor não pede nada em retorno, não exige, não cobra. Ele não conhece preocupação, apenas compaixão. Esse é o amor, então você pode perceber que o que conhecemos aqui na maioria dos relacionamentos não é de fato amor."
Milly Lacombe nos conta uma histĂłria maravilhosa - um pouco autobiográfica - e nos trás personagens incrĂveis, muito bem-criados, extremamente humanos e transparentes, Ă© tudo tĂŁo real, os problemas, as dĂşvidas. A histĂłria tem um lado mais espiritual, um pouquinho de "auto ajuda", e mesmo sendo cansativo vocĂŞ quer muito continuar a leitura para tambĂ©m se descobrir. A leitura alĂ©m da carga emocional enorme foi mais difĂcil para mim por sem em primeira pessoa e com poucos diálogos, entĂŁo as vezes parecia aqueles monĂłlogos enormes e ficava um pouco cansativo, mas nĂŁo consigo imaginar o livro escrito de outra forma! O livro mistura com histĂłrias do passado e do presente, porĂ©m a autora nĂŁo se perdeu ou deixou pontas soltas em algum tempo, Ă© tudo escrito e construĂdo de uma forma que o passado leva a protagonista ao presente, ou o presente Ă© explicado por algo do passado.
"Ficamos assim, entĂŁo: eu nĂŁo me amava porque nĂŁo sabia quem eu era e, sem me amar, nĂŁo era capaz de amar outras pessoas."
Na obra há assuntos que nĂŁo sĂŁo muito tratados normalmente e nem da forma que foram tratados. EntĂŁo acaba sendo uma histĂłria bem interessante para conhecermos assuntos como rituais mĂsticos, chá de Santo Daime, retiros, questionamentos filosĂłficos... E tambĂ©m há muitas referĂŞncias Ă autores clássicos e grandes filĂłsofos. A Diagramação do livro está muito bem-feita, nĂŁo encontrei erros ao decorrer da leitura. A capa Ă© simples, mas adorei a fonte usada!
"É curioso que usem a expressão vida e morte. A morte não é o contrário da vida, mas do nascimento. A vida não tem contrário."
Enfim, mesmo que nĂŁo seja uma leitura que tenha sido fácil, eu recomendo esse livro para TODO MUNDO. Para aqueles que se sentem perdidos, para aqueles que sentem que tem a vida perfeita. Para aqueles que sabem quem sĂŁo, e para aqueles que nĂŁo tem certeza de nada. Esse Ă© aquele livro que quando vocĂŞ termina, vocĂŞ tem a certeza de que nĂŁo Ă© a mesma pessoa que leu a primeira página. E todo mundo precisa dessa injeção de amor e de ensinamentos sobre a amar a si prĂłprio. Esse Ă© aquele livro que nĂŁo há palavras exatas para descreve-lo, ele nos faz rir, nos faz chorar, nos faz amar e odiar e principalmente nos faz crescer. Apenas leia, e eu te garanto que vocĂŞ vai aprender alguma coisa para levar para vida ♥
"VocĂŞ sabe como morre uma estrela, meu amor? A estrela começa a morrer quando já nĂŁo tem combustĂvel para queimar. Nessa hora, o nĂşcleo entra em colapso e durante algumas horas, já morrendo, ela emite uma luz azulada que poderia ser vista em toda a galáxia - e se houvesse ali observador -, atĂ© finalmente explodir num espetáculo de cores e intensidade que chega a ofuscar o brilho da galáxia que a a abriga e que Ă© capaz de gerar mais energia do que o Sol. (...) Era uma noite fria de maio quando vocĂŞ entrou em minha vida e foi numa noite quente de primavera, quase dez anos depois, que vocĂŞ se preparou para sair. Enxergar a vida sem vocĂŞ era para mim tĂŁo provável quanto presenciar a morte de uma estrela..."


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